sexta-feira, 4 de maio de 2012

Tristeza não tem fim, felicidade sim.

 

Fôssemos nós contemporâneos e amigos, diria eu que o Tom teria pensado nessa frase, e buscado a inspiração pra escrever essa música, em mim. E esse post é um ode a esse “sentimento”, que este corpo habita com contrato de locação com prazo indeterminado, com contrato registrado em cartório e, sim, duas testemunhas.

“Você é feliz?” Essa pergunta, que aparentemente é simples (porque poucos são os que instantanea e institivamente respondem de forma negativa), desencadeou uma série de raciocínos, pensamentos, e blablabla do tipo. E tudo negava a resposta anteriormente dada.  Nos pensamentos tentei pegar a origem daquela tristeza, porque não me pareceu algo de agora, passageiro – o que contrariaria o Tom.

Essa tristeza que mora aqui não é sentimento, porque não é emoção. É permanência, é um órgão extra, ou um tumor (benígno ou malígno, tanto faz), é algo incontrolável, intrínseco. Não consigo lembrar de época em que eu fosse feliz, que não algo passageiro, todas as felicidades me parecem daqui (do futuro daquele passado) episódicas, eu estive feliz várias vezes, felicidade de minutos, horas…por causa de companhias ou situações, nunca por causa de mim mesmo.

Então agora é o momento de não levar ninguém comigo, impossível e egoísta exigir ajuda, a dor e o problema são meus, e eu preciso lidar com as duas coisas, preciso aceitar isso da forma que veio, só então conseguirei finalmente achar o equilíbrio, viver no estado normal de coisas, com alegrias e tristezas eventuais, provando que o Tom só estava meio certo, porque tristeza vai ter fim, sim.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Lucky man

 

As pessoas costumam negligenciar o efeito da sorte em suas vidas, eu mesmo – que costumo tentar racionalizar tudo que acontece no mundo ao meu redor – quase sempre esqueço de sua influência sobre tudo. Mas o que é que faz o sinal abrir quando você precisa correr? Encontrar quem precisa encontrar no exato momento em que necessitava?

Eu costumo duvidar da sorte, porque tenho um medo danado de admitir a sua dimensão gigante, se eu racionalizar chego à conclusão de que pelo menos 50% do sucesso de todos os atos se baseia em sorte, pura sorte. Logo, não ser um cara de sorte faz sua vida possivelmente ser um lixo, essa é a explicação, por exemplo, pro Rubinho ser motivo de chacota enquanto o Felipe Massa é ídolo, Michel Teló ser rei e Marcelo Camelo um tio, sorte, só sorte.

E até hoje eu não me achava um cara de sorte, até que parei pra pensar em tudo que vinha me acontecendo de uns dois meses pra cá, e tudo tá se encaixando tão perfeitamente que, mesmo se eu tivesse o controle absoluto de todos os meus atos, não teria capacidade suficiente para modelar as coisas numa forma tão certa. É aquela coisa de que algumas coisas se encaixam e outras não, e até agora, com a ajuda da sorte, vou tendo sucesso em montá-lo.

Mas claro, a sorte vem e vai, é a ordem natural das coisas, e é exatamente onde mora a graça da não monotonia, só que agora eu vou me aproveitar o máximo dela, e não me sentir envergonhado por ser sortudo enquanto outros padecem por não tê-la, porque o jogo há de mudar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O rolo compressor e o violinista.

 

Fiquei 8 meses fazendo meu TCC, talvez tenha sido um dos melhores da faculdade, me esforcei e tal, e uns meses depois dou de cara com isso: o TCC de Tarkovski. Sim, o trabalho de conclusão de curso do meu diretor preferido (é, até agora, nesta pequena e efêmera vida, Tarkovski foi o melhor diretor que eu vi).

Andrei Tarkovski (ou Tarkovsky, ou Андрей Арсеньевич Тарковский) é um diretor soviético, o cara com 29 anos fez essa obra prima, são só 44 minutos, eu com 29 anos provavelmente não terei feito nada de muito relevante, enquanto esse cara já tinha feito algo que vai viver pra sempre.

O filme conta a história de um menino de 7 anos que é músico – o violinista –, sempre que sai de casa os moleques do seu prédio fazem o que hoje chamaríamos de bullying, então o moleque é medroso e frágil. Até que um dia um operador de rolo compressor que tá trabalhando na sua rua impede que os moleques impliquem com o jovem violinista. Este então se encanta de súbido com o motorista do rolo compressor, o segue, e os dois acabam virando amigos.

O jovem aprende a ser valente e se impressiona com a destruição por causa do rolo compressor, e este a ser sensível por causa do violinista. Duas pessoas totalmente diferentes conhecendo mundos diferentes, se influenciando reciprocamente.

http://youtu.be/mRaqcxk1YtM

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Conversa com Tim.

 

O cenário é uma tarde de sábado ensolarada, típico dia de verão no Brasil, cidade de Valença, bairro Monte D’ouro, portão da minha casa:

Tim: – Luiz! Abra essa portão logo, to torrando no calor. LUIZ!

Mãe do Luiz:  – Peraí Tim, ele tá dormindo, vou tentar acordá-lo.

                    -- Luiz, aquele seu amigo maluco tá gritando lá no portão, vá lá atender ele, e não traga ele aqui pra cima, tenho certeza que que ele não viu água durante uns três dias, ainda por cima tá com casaco, e a roupa toda preta, vai impregnar a casa inteira com esse fedor.

Luiz: – Tá, já vou descer, invente uma desculpa aí pra enrolar ele.

Mãe: – Ele já vai descer Tim, pediu pra você não subir, porque ele é claustrofóbico e o quarto dele é pequeno, duas pessoas respirando naquele cubículo é a ideia dele de tentativa de assassinato, então espere ele aí mesmo, você pode até sentar ali do outro lado da rua.

7 minutos depois.

Luiz: – O que foi Tim? O que te traz ao verão brasileiro?

Tim: – Estou com um problema meu amigo. Na verdade vários problemas. A primeira coisa é a Helena cara, ela está me traindo, tenho certeza, ela passou o mês inteiro tomando regularmente um banho por dia, até roupas brancas têm usado, isso é inaceitável, se ela fizer isso com nossos filhos…e até esse sol…e você me atende aqui embaixo…tudo tá conspirando contra mim…essa claridade me incomoda…

Luiz: – Tim, por favor cara, tu não veio até Valença pra falar comigo sobre isso, veio? Tu paga caro pra um analista só pra ele ouvir essas coisas. Passe direto ao assunto…

Tim: – Tá, tá bem, cara, eu tô com um bloqueio criativo. Pior que já vendi dois filmes pra Disney, o meu compadre e minha mulher já aceitaram os papéis principais, eu já torrei o dinheiro todo do adiantamento que recebi – e não foi pouco – mas não consigo pensar em nada pra gravar.

Luiz: – Como assim? Tá com bloqueio criativo agora?!

Tim: – É, nunca tinha acontecido isso comigo.

Luiz: – Não? Então o que justificou você filmar Alice, Sweeney Todd e a Fantástica Fábrica de Chocolate?

Tim: – Como assim? Não são bons filmes? Eu fui premiado por eles, sou um diretor fantástico, o mínimo que mereço é reconhecimento e respeito.

Luiz: – Seja sincero Tim…você acha realmente que fez esses filmes?

Tim: – Claro, todos eles filmes inovadores, criativos, repito o que disse: FUI DEVIDAMENTE PREMIADO POR ISSO, você não vai se juntar a eles e reconhecer meu talento?

Luiz: – Assumo que você fez coisas boas, Vincent é ótimo, linda homenagem, aquele do cara com as mãos de tesoura também é um bom filme, consegui até assistir o do cavaleiro sem cabeça até o fim, mas os outros…sério?

Tim: – Por que? Não são filmes inovadores? Os considero melhores do que os que você citou…

Luiz: – Tim, você já provou que sabe escurecer a tela e entortar árvores, já é hora de seguir em frente, não? Você não gosta de filmes de terror? Por que não faz filmes de terror então? Fica aí enrolando com essa coisa de filmes infantis e galhos distorcidos, estilo sombrio, só pra chocar, ainda por cima sempre chama seu compadre pros seus filmes, só porque ele faz sucesso com as adolescentes. Mude um pouco, faça filmes com atores que não são da sua família, pare de chupar histórias alheias, você sabe escrever, ao invés de procurar uma história já feita pra entortar os galhos das árvores da trama escreva suas próprias, você sabe fazer isso. E coloque um pouco de claridade e cores nos filmes, não custa nada. Eu tenho aqui o box do Almodóvar, tome emprestado, veja os filmes e tente aprender a usar as cores. Não tenha vergonha de mudar Tim.

Após o diálogo, Tim – muito revoltado e ofendido – retira os óculos escuros e atira contra mim,  e, sem dizer uma palavra, se vira, ainda nervoso e suando a cântaros; o barulho de um pássaro lhe chama a atenção, nesse momento Tim levanta o olhar em busca daquele animal, e contempla um lindo céu azul com uma bola reluzente estampada. Três anos depois Tim é tachado de louco por todos aqueles que o contemplavam anteriormente, e de gênio por todos que lhe duvidavam.

P.S. Eu gosto demais do Tim, por isso o recebi, é um dos meus diretores preferidos, melhor ainda são os roteiros que ele próprio escreveu, gostei de tudo que vi dele, mas eu tenho certeza que ele tem um potencial pra fazer bem mais do que faz.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O inferno, por mim mesmo.

 

Por alguma razão que não consegui descobrir, fiquei hoje com um pensamento recorrente: Se o inferno existir, como seria?

Todo mundo tem aquela concepção de que o inferno seria um lugar vermelho de fogo e lava vulcânica (daí deve vir a expressão “calor infernal”), pessoas nuas ou com pouca roupa amarradas em algum lugar por motivo algum, chefiadas por um ser com chifres e tridente (vulgo Diabo, Demo, ou só Coisa Ruim mesmo). Mas po, essa concepção pra mim é tipo o Rio de Janeiro, tu substituí ali a cor vermelha pela azul e feito, lá também tem pessoas com pouca roupa, chifrudos, pessoas que mandam, calor, e o Rio de Janeiro é tipo o melhor lugar pra se viver, então o inferno não seria assim. Meu inferno seria composto de várias salas pequenas, sempre com ar condicionado ligado (pra foder com a camada de ozônio); equipadas com máquinas de escrever; computadores 486 sem impressora e com internet discada; tv de 14 polegadas com quatro canais: no primeiro passam filmes de terror adolescente, no segundo comédias românticas daquelas com bastante açúcar, e no terceiro filmes com cachorro, e no último Big Brother; as pessoas seriam “obrigadas” a ler Habermas, pra apresentar uma resenha mensal sobre algum texto dele; as pessoas só poderiam usar camisa xadrez com calça listrada, ou o contrário; todos os casais (então sim, as mulheres existem lá) que foram pro inferno um pelo outro (porque aqui eles já teriam nascido um pro outro, é um passo além) sofreriam do mesmo mal: o mais feio seria mais tímido e mais burro; não existiria música, só barulhos de alarmes (e o das máquinas de escrever, é claro); e as pessoas falariam paulistanês. E o mais curioso, o Coisa Ruim usaria terno, sem chifres, e seria um amigo, por isso você trabalharia voluntariamente pra ele (é fácil se revoltar contra um ditador, mas você iria querer decepcionar um amigo?), até porque não teria lógica um Coisa Ruim tirano, se você não trabalhasse o que ele ia fazer com você? Te matar? Presumo que os que vão pro irferno já estejam mortos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pelas lentes de Woody.

Não faz muito tempo que topei com um senhor velhinho, na época com seus 75 anos, baixo, óculos com armações grossas, voz engraçada, pinta de intelectual, olhar desconfiado e pessimista. E quem poderia dizer que esse tipo se tornaria um dos meus melhores amigos – mesmo sem escutar uma palavra do que eu digo. Esse senhor é Allan Stewart Konigsberg, que agora eu chamo só de Woody Allen mesmo

Descobri que esse cara era um cineasta, então resolvi ver um filme seu, o primeiro foi Tudo pode dar Certo, na época seu último, simpatizei de cara com o personagem principal, um velho, intelectual, rabugento, que fala rápido, gagueja às vezes, pessimista, hipocondríaco (todas as características do meu amigo). Engraçado que depois de ver mais 44 filmes do meu amigo eu reencontrei esse personagem em pelo menos mais uns 35 filmes, muitas vezes meu amigo mesmo interpretava o personagem dele mesmo, ali, andando por New York, onde tínhamos nos topado.

Mais engraçado ainda é o fato dele fazer vários filmes quase iguais e eu gostar de todos eles, quase todos no mesmo lugar, com os mesmos personagens, os mesmos adultérios, os diálogos pseudo-intelectuais, as citações a filmes e músicas que vi por causa dele, talvez ele seja a única pessoa do mundo que consegue ser repetitiva sem ser chata.

E o impressionante é como ele me influencia, por causa dele hoje leio coisas que não lia; deixei de acreditar em Deus e voltei a acreditar em Deus; vi que não tinha graça viver e depois que mesmo se não tivesse (e tem!) o que eu tinha que fazer era viver mesmo; que o crime pode compensar mas os adultérios não; que a nossa vida consiste em como a distorcemos; que ela é a soma de todas nossas escolhas; que sexo não é a resposta para os problemas (mas a pergunta, “sim” é que é a resposta); que relações são complicadas, mas precisamos delas. Enfim, hoje vejo o mundo através dos óculos que ganhei dele de presente.

Não bastasse isso tudo, ele me apresentou vários amigos, os manos Bach, Louis, Ingmar, Tarkovski, Groucho, Django, Buñuel, Jean-Luc, Sigmund, Heinsenberg, Sidney, e mais um monte de brother que eu não vou me lembrar agora.

Vou parar de puxar o saco dele, ele nem gosta disso, e parar o post por aqui, acho que eu já disse a ele em uma de nossas conversas (em que eu falava e ele fingia que escutava) que eu devo uma vida a ele, se não disse não vai faltar oportunidade de dizer, porque segunda eu vou chegar ali no Carlyle, ver o show da banda dele e depois tomar um café com meus brows (e ele, é claro).

P.s. Post descaradamente inspirado no ótimo post da Laila Natal no blog dela (obanquinho.blogspot.com), que é minha primeira recomendação como blogueiro haha

Início.

 

Sou Luiz Fernando, hoje com 23 anos, pretenso professor, advogado, dono de bar e guitarrista, amante de bons cinema, músicas e livros.

Este é meu segundo blog, o primeiro eu fiz por terapia, o problema logo acabou e ele foi extinto, já não tinha lógica deixá-lo vivo. Minha intenção com este segundo é escrever o que eu quiser e na hora em que eu quiser, até porque o blog é meu. Como filmes são o tema que eu mais gosto é natural que, provavelmente, seja o que mais será objeto de posts. Inclusive o nome é inspirado em um dos meus filmes favoritos, Através de um espelho, do Bergman.

Não espero que muitas pessoas acompanhem o meu blog, até porque acho que eu mesmo não seria um leitor do meu blog. Mas é hora de parar de enrolar e fazer o primeiro post decente.