segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pelas lentes de Woody.

Não faz muito tempo que topei com um senhor velhinho, na época com seus 75 anos, baixo, óculos com armações grossas, voz engraçada, pinta de intelectual, olhar desconfiado e pessimista. E quem poderia dizer que esse tipo se tornaria um dos meus melhores amigos – mesmo sem escutar uma palavra do que eu digo. Esse senhor é Allan Stewart Konigsberg, que agora eu chamo só de Woody Allen mesmo

Descobri que esse cara era um cineasta, então resolvi ver um filme seu, o primeiro foi Tudo pode dar Certo, na época seu último, simpatizei de cara com o personagem principal, um velho, intelectual, rabugento, que fala rápido, gagueja às vezes, pessimista, hipocondríaco (todas as características do meu amigo). Engraçado que depois de ver mais 44 filmes do meu amigo eu reencontrei esse personagem em pelo menos mais uns 35 filmes, muitas vezes meu amigo mesmo interpretava o personagem dele mesmo, ali, andando por New York, onde tínhamos nos topado.

Mais engraçado ainda é o fato dele fazer vários filmes quase iguais e eu gostar de todos eles, quase todos no mesmo lugar, com os mesmos personagens, os mesmos adultérios, os diálogos pseudo-intelectuais, as citações a filmes e músicas que vi por causa dele, talvez ele seja a única pessoa do mundo que consegue ser repetitiva sem ser chata.

E o impressionante é como ele me influencia, por causa dele hoje leio coisas que não lia; deixei de acreditar em Deus e voltei a acreditar em Deus; vi que não tinha graça viver e depois que mesmo se não tivesse (e tem!) o que eu tinha que fazer era viver mesmo; que o crime pode compensar mas os adultérios não; que a nossa vida consiste em como a distorcemos; que ela é a soma de todas nossas escolhas; que sexo não é a resposta para os problemas (mas a pergunta, “sim” é que é a resposta); que relações são complicadas, mas precisamos delas. Enfim, hoje vejo o mundo através dos óculos que ganhei dele de presente.

Não bastasse isso tudo, ele me apresentou vários amigos, os manos Bach, Louis, Ingmar, Tarkovski, Groucho, Django, Buñuel, Jean-Luc, Sigmund, Heinsenberg, Sidney, e mais um monte de brother que eu não vou me lembrar agora.

Vou parar de puxar o saco dele, ele nem gosta disso, e parar o post por aqui, acho que eu já disse a ele em uma de nossas conversas (em que eu falava e ele fingia que escutava) que eu devo uma vida a ele, se não disse não vai faltar oportunidade de dizer, porque segunda eu vou chegar ali no Carlyle, ver o show da banda dele e depois tomar um café com meus brows (e ele, é claro).

P.s. Post descaradamente inspirado no ótimo post da Laila Natal no blog dela (obanquinho.blogspot.com), que é minha primeira recomendação como blogueiro haha

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